O senador tucano Ataídes Oliveira (TO) retirou nesta quarta-feira a sua assinatura do pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes. Com a desistência dele e do senador João Durval (PDT-BA), a comissão parlamentar de inquérito pode não sair do papel. Para a criação do grupo de trabalho no Senado é necessária a assinatura de um terço dos senadores, ou seja 27 membros. Devido às duas baixas, o apoiamento às investigações sobre corrupção e suspeitas de pagamento de propina a empreiteiras fica com apenas 25 assinaturas.
O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR), havia apresentado às 19h02 desta terça-feira à Mesa Diretora da Casa o requerimento para a instalação da CPI dos Transportes, que buscaria investigar, em um prazo de 180 dias, denúncias envolvendo o setor de transportes, suspeitas de superfaturamento e pagamento de propina por meio de empreiteiras. Das 27 assinaturas necessárias para a criação do grupo de trabalho, onze haviam sido dadas por integrantes de partidos da base governista.
"Tem gente contrariada na base governista. A CPI é um movimento de chantagem. Que venha a CPI, foi a presidente Dilma quem começou a investigar. Essa CPI está vindo não para investigar, mas para constranger", criticou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) nesta terça.
Apesar do encaminhamento do pedido de instalação da CPI à Mesa, a tropa de choque do Palácio do Planalto tem até a meia-noite de hoje para convencer senadores que assinaram a retirarem seus apoiamentos ao grupo de investigação. Se consolidada, a CPI terá 13 titulares e sete suplentes para a realização dos trabalhos.
Pela oposição, constam as assinaturas pró-CPI dos tucanos Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, Alvaro Dias, Cícero Lucena, Cyro Miranda, Flexa Ribeiro, Lúcia Vânia, Mário Couto e Paulo Bauer; os representantes do Democratas Demóstenes Torres, Jayme Campos, José Agripino, Maria do Carmo Alves; e os senadores Randolfe Rodrigues e Marinor Brito, do PSOL.
Como integrantes de partidos da base governista, assinaram o requerimento pró-CPI Ana Amélia Lemos e Reditário Cassol, do PP; Zezé Perrella e Pedro Taques, do PDT; Sérgio Petecão, do PMN, Jarbas Vasconcelos, Roberto Requião, Ricardo Ferraço e Pedro Simon, do PMDB, além de Kátia Abreu, sem partido.